Imagino que assistir uma apresentação dos Wallaces deve ser divertido. Pelo menos é o que praticamente todo mundo vem falar depois. As roupas, o repertório, a relação com a platéia, tudo no estilo quanto pior, melhor. Mas pode ter certeza que estar no palco tocando aquele fuzuê é muito mais divertido.
Pra começo de conversa, meses de ensaio naufragam no caos. Esquecemos as letras, as piadas que deveriam ser feitas em determinadas músicas, as passagens de uma música pra outra. A confusão do momento e o alto grau etílico da turma levam a um festival de improvisações, que na maioria das vezes dá certo. Sim, porque, na época áurea dos Wallaces nosso aproveitamento era bem abaixo de 100%. Poderia dizer que de cada três apresentações, uma dava certo, outra era aceitável e uma terceira era um desastre. As piadas não funcionavam, o som estava ruim, errávamos demais, muitas eram as situações que poderiam comprometer o resultado. Agora, na verdade, a graça da banda está justamente na incerteza. Ou na certeza de que será sempre um caos.
No último dia 15 de dezembro, lotamos o UK Brasil de amigos e antigos fãs que não perderiam a volta (depois de 15 anos) da banda mais bizarra da estória do rock de Brasília. E, cá entre nós, nosso objetivo era, basicamente, se divertir. Se o público se divertisse junto, ótimo. E foi perfeito, tudo dando certo e errado ao mesmo tempo. As desafinações e erros na medida certa, pra não decepcionar a galera. E a certeza de que, no dia em que tudo sair certinho, perde a graça.
Pra quem não testemunhou, seguem alguns trechos postados no YouTube:
Feiticeira:
Bilu Tetéia:
Freak Le Boom Boom / La Conga:
Pedra Pomes do Amor:
Finalizando com o grito de guerra.... QUEIMA, BIZONHENTO!!!
A-DO-REI!!!! rs Queeeeeeeeeeeeeeeeeeima!!!!! hahaha
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