Todo mundo sabia que o terceiro dia ia ser pedrada. Atração interessante das 14h às 3h da manhã, ou seja, tinha que tirar energia de onde fosse possível. E o peso das atrações já mostrou sua diferença do lado de fora. 13h30 já tinha muita gente chegando. Não fui atrás de números oficiais, mas a impressão que tive foi que no terceiro dia havia mais gente do que nos dois anteriores juntos. Um ponto negativo foi a chuva, que apesar de não ter sido forte em momento algum, foi constante. E formou o lamaçal absurdo que eu já comentei em outro post.
E chegamos relativamente cedo pra ver o show dos Raimundos. Banda da terrinha, toquei em eventos juntos com eles na época em que ainda faziam cover dos Ramones, e hoje eles vêm tentando nobremente se recolocar no cenário top do rock Brasil. Só que a quantidade de gente chegando junto nos fez perder quase 40 minutos na fila de entrada. Tudo bem que tem que revistar as bolsas da galera, mas nitidamente faltava um pouco de agilidade da equipe de apoio. O resultado é que quando chegamos em frente ao palco eles estavam começando "Eu quero é ver o oco", última música do set list. Mas foi o suficiente pra perceber que estavam fazendo bonito. A cara de felicidade do Digão ao despedir da turma dava uma boa pista.
Bom, o jeito é ir conhecer o trabalho do ex-baixista do Guns'n'Roses, Duff McKagan, com a banda Loaded. Os caras são tecnicamente competentes, o som é legal, mas fora uma meia dúzia de gatos pingados no gargarejo, era claro que a maioria da platéia não conhecia música nenhuma, e isso costuma complicar a maioria dos shows. Não comprometeu, mas não chegou a animar.
Eu conhecia pouco da Black Rebel Motorcycle Club, que entrou tocando um som que me lembrou uma mistura de White Stripes (até pela formação, uma mulher tocando forte a bateria) e Morphine, ou seja, um som que consegue ser pesado e denso ao mesmo tempo, com constantes variações de ritmo. Gostei muito, mas não senti muita firmeza na reação do pessoal. Acho que ainda estava cedo...
Antes do show do Down eu havia estranhado a quantidade de gente com camiseta do Pantera, achei que fosse uma simples coincidência. Depois me esclareceram que o vocalista Phil Anselmo já foi do Pantera. E metal é sempre uma realidade paralela, há legiões de fãs de bandas que quem não é do ramo nunca ouviu falar. Foi a primeira banda a realmente mexer com a turma (ou pelo menos com boa parte dela) no terceiro dia. O som deles é agressivo e bem executado da maneira que o público do metal espera, e o que se via da arquibancada eram muitos punhos cerrados marcando o ritmo de cada música. Marcou presença.
Haviam me falado bem do tal 311, mas confesso que não entendi qual é a da banda. Entraram tocando um rap branco adocicado, que iniciou com volume baixo (trazendo de volta o fantasma do primeiro dia, era o mesmo palco "Energia") e causando estranhamento ao público que não conhecia, dado o clima meio adolescente. O jeitão "Dinho Ouro Preto" do vocalista principal não ajudava, a voz fina do outro menos ainda, e a minha impressão inicial remeteu a bandas recentes tipo Maroon 5, apesar de saber que eles já tem estrada. Não me convenceu, e acho que poderia ter trocado de lugar com o Simple Plan, escalado pra fechar a noite no palco alternativo, e que, apesar de também ter um apelo meio adolescente, me parece ter mais nome e público para o palco principal (apesar de que não assisti ao show deles, mas ouvi falar bem).
Agora vamos à primeira banda ansiosamente aguardada da noite: Sonic Youth. Putz, isso é som. Anarquia total, muito barulho, muita microfonia, agressividade e estática se revezando de uma maneira difícil de descrever. É uma banda da geração anterior, mas que deixa os mais novos intrigados. O público se comporta com uma mistura de admiração, hipnose e incômodo, alguns sem entender direito o que estava acontecendo no palco, mas sem coragem de se manifestar contra. O Pixies, apesar de muito menos anárquico, havia criado um clima semelhante no SWU do ano passado. Pra mim, um dos três melhores shows do festival. Vida eterna às guitarras arrastadas no chão!!
E, ainda meio tonto com a pancadaria sonora, fui para o Primus, outra banda que eu conhecia pouco. Mas eles marcaram presença com louvor. O contrabaixo do Les Claypool é impressionante, gerando um som que lembra um rock progressivo com muito balanço, quase um funk no estilo Parliament em alguns momentos. Babei nos caras. Havia planejado sair pra comer alguma coisa no show deles mas tive que ficar até o final.
Bom, dado o que vinha depois, tive que sair pra lanchar no show do Megadeth. Gosto de metal, mas muito mais do que viria depois. Ouvi duas músicas, executadas com a competência de praxe, e quando voltei ouvi muita reclamação dos fãs de que 1 hora de Megadeth não dá nem pro tira-gosto. E provavelmente eles têm razão.
Costuma ser padrão, mas é sempre divertido ver o Scott Weiland, do Stone Temple Pilots, entrando no palco de terno, gravata, óculos escuros e megafone na mão. Me lembrou os caras do The Jam, e repetiu a performance de ir jogando fora o excesso à medida em que o show ia esquentando. Eles tocam como quem gosta de tocar de verdade, sem medo de ser feliz. Colocaram a galera pra pular, com os hits que todo mundo aguarda (destaque para os clássicos "Plush" e "Big Bang Baby"). Bom demais. Sem surpresas, mas bom demais.
Apesar de ter pego carona na onda do grunge, sempre considerei o Alice in Chains uma banda de hard rock. E agora com o novo vocalista, Willian DuVall, acho que esta impressão ficou mais forte, apesar de ser comum cantor negro tender a tornar a banda mais suingada. O repertório atual deles tem muita balada, o que tornou o show de 1 hora e meia um pouco cansativo (e considerando também a maratona até então). Quando o povo começava a dar sinais de cansaço, "Man in the Box" conseguiu mantê-lo ativo por mais meia hora. Foi bom, mas teria sido melhor se tivesse sido mais curto.
Em um dia de bons shows mas pouca surpresa, o Faith no More fez a diferença. Estava todo mundo muito cansado, quando entrou um legítimo representante da cultura pernambucana discursando sobre uma biblioteca que seria desativada mas que ele ia brigar para mantê-la. Beleza, tem nossa força, mas quem é esse cara, e isso é hora de subir no palco pra falar disso? Acho que ninguém se mancou que era o início do show dos caras (o rapaz voltaria mais tarde com mais um discurso incendiado), que devem ter ouvido as reclamações da Cláudia Leite sobre as bandas estrangeiras e resolveram atendê-la. Todos os componentes da banda entraram com roupas brancas largas, usando vários colares coloridos, e o palco era todo branco (até os amplificadores cobertos com toalhas brancas), com flores de vários tipos espalhadas no chão. Ou seja, um autêntico terreiro de umbanda com seus pais de santo encarnando o melhor do rock. Mike Patton pegou aulas intensivas de palavrões em português e não passava meia música sem mandar um. "King for a Day" foi adornada por um coro inusitado de "Porra! Caralho!"... Fechando o set principal, trouxe o "Coral de Crianças de Heliópolis" para acompanhar "Just a Man", e emocionou muita gente. Showzaço, fechou com chave de ouro o festival. No dia seguinte uma amiga reclamou a ausência de "Falling to Pieces" no set list. Putz, sabe que o show foi tão bom que eu nem me manquei??
Ano que vem, se o line up for compatível com o deste ano, estaremos lá de novo!!
sábado, 19 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
SWU 2011 - Segundo Dia
Depois do cansaço do primeiro dia, resolvi ir mais tarde para o segundo dia do SWU, peguei a van das 16h30. Foi bom, pois escapei de uma chuva torrencial, a mais forte do festival.
Dia meio maluco, não havia um estilo definido, um verdadeiro samba do criolo doido.
Mas o resultado é que entrei na área dos palcos principais ao som de uma versão arrepiante de Uptight do Stevie Wonder, sem entender nada. Era a Tedeschi Trucks Band, que depois descobri ser de Jacksonville, Florida, onde fiquei uma semana fazendo um curso de TI. Impressionante que de uma cidade tão normalzinha saia uma banda tão legal. Se intitula uma banda de rock e blues, mas eles mandam muito bem na soul music. Fecharam com "I Want to Take You Higher", do Sly & The Family Stone, em versão racha-assoalho legal. Pelo telão, não consegui ver se a loira da guitarra era realmente bonita, mas já me apaixonei.
Na sequência, desci para o palco alternativo para encontrar alguns amigos do Rio. Acabei perdendo o barraco da equipe do Ultraje com a do Peter Gabriel, um dos pontos altos do festival... Peguei metade do show de uma banda chamada "!!!" (me disseram que pronuncia-se "tick tick tick"). Muito boa, o vocalista é uma bicha tresloucada que dançou e requebrou de todo jeito, surfou na maca dos bombeiros, desceu do palco e levou a galera ao delírio, sob o som de indie rock da melhor qualidade. Engraçadíssimo. Aquele tipo de apresentação que, depois que acaba, tá todo mundo dando risada, feliz.
Na sequência, provavelmente a banda mais alinhada à proposta do festival: Playing for Change. Músicos de vários países se juntam para passar uma mensagem de esperança para o mundo, ou seja, galera super cabeça, tudo a ver. Mas fora a ironia, a banda é boa mesmo. Uma mistura de reggae, cajun music e afromusic de boa qualidade, com versões competentes de "Gimme Shelter" dos Rolling Stones e "Sittin' in The Dock of the Bay" do Otis Redding. O vocalista cego de New Orleans, Granpa Elliot, é uma atração à parte. A cara do Tio Barnabé.
Mas não assisti à apresentação toda, pois estava ligado no boato de que o Neil Young, inexplicavelmente levado ao festival apenas para participar de debate sobre sustentabilidade (outra aparente pisada da organização, nenhuma das justificativas que ouvi eram convincentes), daria uma palhinha no show do Chris Cornell. Pra quem não sabe, Chris Cornell liderou bandas muito boas, como Soundgarden e Audioslave, mas no SWU daria um show acústico... Pensou "hmmmm... será?"... acertou. Como era de se esperar, a apresentação só fez a gente ficar imaginando como seria com banda. A versão de "Black Hole Sun" foi emocionada, mas não conseguia levantar a galera. Este tipo de show mais "intimista" ficaria melhor no palco alternativo.
E vamos para o momento nostalgia da noite: Duran Duran. Admito. Me amarro em Duran Duran. E estava perfeito, assistiria ao show do Duran Duran enquanto rolava o Modest Mouse no palco alternativo, aí eu desceria pra ver o Hole, da Courtney Love. E estrategicamente perderia o show do Peter Gabriel, ó que beleza. E o indefectível cabelo branco do Nick Rhodes invade o palco ao som de "Planet Earth". Delírio da galera quarentona. Seguido de "A View to a Kill". Um momento para reflexão: ao ver o Simon Le Bon gordinho, em um blazer de lantejoulas e bigodinho no estilo "latin lover", já escolhi meu candidato para o papel do Albin Mougeotte em uma eventual continuação de "Gaiola das Loucas". Mas no meio do momento Bond, James Bond, recebo um SMS fatal: Modest Mouse cancelou a apresentação (parece que os instrumentos não chegaram a tempo... esquisito...) e o Hole já estava no palco. E agora? Duran Duran ou Hole? Resolvi a dúvida ao ouvir o nosso amigo Simon anunciar que tocaria uma música do novo disco. Caceta, algumas bandas deveriam ser proibidas de gravar disco novo. Quem quer ouvir um novo hit do Duran Duran?? Toca uma hora de "Wild Boys" direto que todo mundo vai gostar muito mais!! Depois fiquei sabendo que não tocaram "Save a Prayer". Ainda bem que eu não estava lá pra ver este momento decadente.
Cheguei no palco alternativo e a Courtney Love estava mostrando toda a sua doçura e delicadeza. Ao contrário da maioria das bandas estrangeiras, ela não se preocupou em decorar algumas frases em português. Mas se você entende o significado de "Suck My Dick" e "Fuck You Motherfucker", está apto a entender 90% da mensagem que ela tem a passar. A banda é boa, guitarra suja como manda o figurino, bateria pesada, foi o momento mais punk do festival (aproveitando, senti falta de representantes de punk rock autêntico...). Mas entre uma música e outra ela fala pacas, xinga um monte de gente, e faz a alegria da galera que quer mais é ver o circo pegar fogo (eu incluído). Um detalhe bizarro eram as "hot dancers": quatro meninas com vestidos saídos de um filme do Tim Burton se balançando no melhor estilo "o que que eu tô fazendo aqui mesmo? ". Mas a Courtney pagou peitinho, xingou o camarada com um cartaz do Kurt Cobain (Eu fui casada com ele, não você!!), vestiu a camiseta jogada por uma fã com os dizeres "Courtney, Be My Bitch!!!" e fez a cena máxima quando um gaiato mostrou um cartaz falando pra ela devolver o dinheiro do David Grohl. Aí ela mandou todo mundo ir tomar naquele lugar e foi embora, com pouco mais de meia hora de show. Uma das hot dancers voltou pra falar (aí que eu descobri que eram brasileiras): "pô, meu, é pra falar que gosta do Hole, e não do Foo Fighters!". Ela voltou (lógico que ia voltar), mas só depois de ouvir o povo entoar "Foo Fighters Gay" em uníssono. Hahahaha... rock'n'roll é isso, galera.
Agora, certamente o Hole merecia um lugar nos palcos principais. Tinha gabarito e barraco o suficiente pra isso.
E com o fim do palco alternativo nesta noite, as atenções e voltavam para o show do Lynyrd Skynyrd. Mas a apresentação do Peter Gabriel com a tal da The New Blood Orchestra estava apenas começando... Antes do festival, quando eu vi o line up, desconfiei que o show do Peter Gabriel ia ser chato, só não imaginava o quanto. Sentei na frente do palco do Lynyrd Skynyrd e fiquei vendo pelo telão. Meu Deus, quem foi que teve a ideia de jerico de trazer este homem para um festival deste tipo?? No dia seguinte, ouvi comentários positivos de gente que viu pela TV e achou lindo. Talvez eu gostasse do show na sala Villa-Lobos, saindo de casa uma hora antes, sentando em uma poltrona acolchoada... Mas ao final de um dia de festival, com programação atrasada, sabendo que Lynyrd Skynyrd só estava esperando aquilo acabar, foi uma verdadeira tortura chinesa. Uma orquestra completa, tocando os clássicos de world music do Peter, intercalados por declarações mal decoradas em português... Ainda aparece a Didi Wagner pra ler um texto pra ele. O pessoal do outro palco entrava em desespero, pânico total: "Só falta ele querer apresentar a banda, um por um...", "pô, gastaram uma grana pra trazer 50 caras pra cá... o White Stripes são só dois!!!"... e aí vai...
Finalmente acaba o sofrimento e o Lynyrd Skynyrd entra pra salvar o dia. Rock clássico, trio de guitarras afiadíssimo, bateria precisa, vocalista carismático, tudo perfeito. "Simple Man" e "Sweet Home Alabama" não deixaram dúvidas de que era o melhor show do dia. Fechou o bis com "Free Bird", e todo mundo foi pra casa com a alma lavada. Até esqueceram da continuação do eterno boato do Neil Young dando palhinha em algum momento...
Bom, agora só falta o último dia, quando o bicho realmente pegou de vez!!
Dia meio maluco, não havia um estilo definido, um verdadeiro samba do criolo doido.
Mas o resultado é que entrei na área dos palcos principais ao som de uma versão arrepiante de Uptight do Stevie Wonder, sem entender nada. Era a Tedeschi Trucks Band, que depois descobri ser de Jacksonville, Florida, onde fiquei uma semana fazendo um curso de TI. Impressionante que de uma cidade tão normalzinha saia uma banda tão legal. Se intitula uma banda de rock e blues, mas eles mandam muito bem na soul music. Fecharam com "I Want to Take You Higher", do Sly & The Family Stone, em versão racha-assoalho legal. Pelo telão, não consegui ver se a loira da guitarra era realmente bonita, mas já me apaixonei.
Na sequência, desci para o palco alternativo para encontrar alguns amigos do Rio. Acabei perdendo o barraco da equipe do Ultraje com a do Peter Gabriel, um dos pontos altos do festival... Peguei metade do show de uma banda chamada "!!!" (me disseram que pronuncia-se "tick tick tick"). Muito boa, o vocalista é uma bicha tresloucada que dançou e requebrou de todo jeito, surfou na maca dos bombeiros, desceu do palco e levou a galera ao delírio, sob o som de indie rock da melhor qualidade. Engraçadíssimo. Aquele tipo de apresentação que, depois que acaba, tá todo mundo dando risada, feliz.
Na sequência, provavelmente a banda mais alinhada à proposta do festival: Playing for Change. Músicos de vários países se juntam para passar uma mensagem de esperança para o mundo, ou seja, galera super cabeça, tudo a ver. Mas fora a ironia, a banda é boa mesmo. Uma mistura de reggae, cajun music e afromusic de boa qualidade, com versões competentes de "Gimme Shelter" dos Rolling Stones e "Sittin' in The Dock of the Bay" do Otis Redding. O vocalista cego de New Orleans, Granpa Elliot, é uma atração à parte. A cara do Tio Barnabé.
Mas não assisti à apresentação toda, pois estava ligado no boato de que o Neil Young, inexplicavelmente levado ao festival apenas para participar de debate sobre sustentabilidade (outra aparente pisada da organização, nenhuma das justificativas que ouvi eram convincentes), daria uma palhinha no show do Chris Cornell. Pra quem não sabe, Chris Cornell liderou bandas muito boas, como Soundgarden e Audioslave, mas no SWU daria um show acústico... Pensou "hmmmm... será?"... acertou. Como era de se esperar, a apresentação só fez a gente ficar imaginando como seria com banda. A versão de "Black Hole Sun" foi emocionada, mas não conseguia levantar a galera. Este tipo de show mais "intimista" ficaria melhor no palco alternativo.
E vamos para o momento nostalgia da noite: Duran Duran. Admito. Me amarro em Duran Duran. E estava perfeito, assistiria ao show do Duran Duran enquanto rolava o Modest Mouse no palco alternativo, aí eu desceria pra ver o Hole, da Courtney Love. E estrategicamente perderia o show do Peter Gabriel, ó que beleza. E o indefectível cabelo branco do Nick Rhodes invade o palco ao som de "Planet Earth". Delírio da galera quarentona. Seguido de "A View to a Kill". Um momento para reflexão: ao ver o Simon Le Bon gordinho, em um blazer de lantejoulas e bigodinho no estilo "latin lover", já escolhi meu candidato para o papel do Albin Mougeotte em uma eventual continuação de "Gaiola das Loucas". Mas no meio do momento Bond, James Bond, recebo um SMS fatal: Modest Mouse cancelou a apresentação (parece que os instrumentos não chegaram a tempo... esquisito...) e o Hole já estava no palco. E agora? Duran Duran ou Hole? Resolvi a dúvida ao ouvir o nosso amigo Simon anunciar que tocaria uma música do novo disco. Caceta, algumas bandas deveriam ser proibidas de gravar disco novo. Quem quer ouvir um novo hit do Duran Duran?? Toca uma hora de "Wild Boys" direto que todo mundo vai gostar muito mais!! Depois fiquei sabendo que não tocaram "Save a Prayer". Ainda bem que eu não estava lá pra ver este momento decadente.
Cheguei no palco alternativo e a Courtney Love estava mostrando toda a sua doçura e delicadeza. Ao contrário da maioria das bandas estrangeiras, ela não se preocupou em decorar algumas frases em português. Mas se você entende o significado de "Suck My Dick" e "Fuck You Motherfucker", está apto a entender 90% da mensagem que ela tem a passar. A banda é boa, guitarra suja como manda o figurino, bateria pesada, foi o momento mais punk do festival (aproveitando, senti falta de representantes de punk rock autêntico...). Mas entre uma música e outra ela fala pacas, xinga um monte de gente, e faz a alegria da galera que quer mais é ver o circo pegar fogo (eu incluído). Um detalhe bizarro eram as "hot dancers": quatro meninas com vestidos saídos de um filme do Tim Burton se balançando no melhor estilo "o que que eu tô fazendo aqui mesmo? ". Mas a Courtney pagou peitinho, xingou o camarada com um cartaz do Kurt Cobain (Eu fui casada com ele, não você!!), vestiu a camiseta jogada por uma fã com os dizeres "Courtney, Be My Bitch!!!" e fez a cena máxima quando um gaiato mostrou um cartaz falando pra ela devolver o dinheiro do David Grohl. Aí ela mandou todo mundo ir tomar naquele lugar e foi embora, com pouco mais de meia hora de show. Uma das hot dancers voltou pra falar (aí que eu descobri que eram brasileiras): "pô, meu, é pra falar que gosta do Hole, e não do Foo Fighters!". Ela voltou (lógico que ia voltar), mas só depois de ouvir o povo entoar "Foo Fighters Gay" em uníssono. Hahahaha... rock'n'roll é isso, galera.
Agora, certamente o Hole merecia um lugar nos palcos principais. Tinha gabarito e barraco o suficiente pra isso.
E com o fim do palco alternativo nesta noite, as atenções e voltavam para o show do Lynyrd Skynyrd. Mas a apresentação do Peter Gabriel com a tal da The New Blood Orchestra estava apenas começando... Antes do festival, quando eu vi o line up, desconfiei que o show do Peter Gabriel ia ser chato, só não imaginava o quanto. Sentei na frente do palco do Lynyrd Skynyrd e fiquei vendo pelo telão. Meu Deus, quem foi que teve a ideia de jerico de trazer este homem para um festival deste tipo?? No dia seguinte, ouvi comentários positivos de gente que viu pela TV e achou lindo. Talvez eu gostasse do show na sala Villa-Lobos, saindo de casa uma hora antes, sentando em uma poltrona acolchoada... Mas ao final de um dia de festival, com programação atrasada, sabendo que Lynyrd Skynyrd só estava esperando aquilo acabar, foi uma verdadeira tortura chinesa. Uma orquestra completa, tocando os clássicos de world music do Peter, intercalados por declarações mal decoradas em português... Ainda aparece a Didi Wagner pra ler um texto pra ele. O pessoal do outro palco entrava em desespero, pânico total: "Só falta ele querer apresentar a banda, um por um...", "pô, gastaram uma grana pra trazer 50 caras pra cá... o White Stripes são só dois!!!"... e aí vai...
Finalmente acaba o sofrimento e o Lynyrd Skynyrd entra pra salvar o dia. Rock clássico, trio de guitarras afiadíssimo, bateria precisa, vocalista carismático, tudo perfeito. "Simple Man" e "Sweet Home Alabama" não deixaram dúvidas de que era o melhor show do dia. Fechou o bis com "Free Bird", e todo mundo foi pra casa com a alma lavada. Até esqueceram da continuação do eterno boato do Neil Young dando palhinha em algum momento...
Bom, agora só falta o último dia, quando o bicho realmente pegou de vez!!
terça-feira, 15 de novembro de 2011
SWU 2011 - Primeiro Dia
Bom, vamos ao interessa: os shows!! O primeiro dia foi dedicado à música negra, mais focada em rap e reggae. Senti falta de algumas atrações mais ligadas à soul music, mas paciência. Como verão, dia de muita decepção e algumas boas surpresas.
Ah, sim. Este foi um dia em que praticamente não vi nada do palco alternativo, com exceção das duas primeiras músicas do Cruz. Tava animado, mas não dá pra fazer uma avaliação justa dos caras.
Chegamos cedo porque o meu irmão tava a fim de ver o Emicida. E valeu a pena, apesar do calor. Quem não tá acostumado com show de rap costuma estranhar só dois caras naquele puta espação do palco: um controlando as pick ups e outro mandando bala no microfone. Mas o Emicida fez bonito, mostrou seu valor e homenageou quem tinha direito, com destaque para clássicos do Thaíde e DJ Hum.
O tal Michael Frenti & Superhead eu assisti da arquibancada, o sol tava indecente. Confesso que não conhecia o cara, e achei o show correto, animadão e divertido. Rock bem americano, clima de Califórnia, com doses fortes de música latina, foi bem legal e animou a galera. Mas ainda tava em clima de esquenta.
Aí veio o SOJA, e mostrou serviço. Reggaezão forte, muito bem tocado, com um lado jazz legal, naipe de metais de grande responsa. Vocalista meio concentrado, mas muito competente. Fácil o melhor show do dia. Fácil, fácil. O lance é que criou aquele clima de, putz, hoje vai arrebentar!! Expectativa que viria a ser frustrada...
Marcelo D2 fez seu papel com a competência tradicional. Tocou os hits que todo mundo esperava com a presença de praxe. Nada de excepcional, mas o que se esperava dele. Agora, foi o primeiro show em que me chamou a atenção o volume baixo do palco "Energia", principalmente se comparado com o palco "Consciência" (pra quem não sabe, esses eram os nomes dos dois palcos principais, em que os shows iam se revezando). Pisada...
Damian Marley também foi bem legal. Os reggaeiros de plantão que me perdoem, mas ainda não nasceu alguém no estilo que faça sombra na unha do dedinho esquerdo do Bob. E nada melhor que o filho dele pra provar isso. Os hits que todo mundo gosta, e pra lá de bem tocados. Mas fiquei com a sensação de que os organizadores poderiam ter tentado trazer o SuperHeavy, em que o Damian participa. Quem sabe no ano que vem? Se o Mick Jagger for muito caro, pode trazer só com a Joss Stone mesmo. Esteticamente há ganhos muito relevantes.
E agora vamos para a primeira grande decepção da noite: que bela bosta de show fez o Snoop Dogg! E eu posso falar, porque fui no primeiro dia só pra vê-lo. Considero o cara o mais importante rapper do momento, dado o seu histórico, e imaginava um show memorável. Ele ficou o tempo todo fazendo pose (até aí, ainda vai) com quatro dançarinas no "apoio moral" (melhor não entrar em detalhes). Mas quando começava a cantar, mal se ouvia sua voz, e ele tava num clima brochante de tão "blasè". A gente demorava pra reconhecer as músicas. Há de se considerar que houve algum tropeço da parte técnica, que não teve competência pra equalizar o som corretamente, mas a presença de palco do Snoop não ajudava em nada. E deve-se lembrar que os problemas técnicos não chegaram a comprometer o Marcelo D2. Decepção total. Única ressalva para o baixista, que colocava seu grave no limite e criava um clima bem denso, muito adequado ao tipo de som do Snoop.
Na sequência, o rap'n'soul do Kanye West, que foi pro festival pra dar espetáculo. Uma puta produção, com direito a bailarinas espalhadas pelo palco imenso, tudo muito profissional, do jogo de luzes ao instrumental, coisa de gente grande. Ele tem uma puta voz, mas acho o som meio farofão, de um modo geral. Bom pra tocar em boate mauricinha. Mas admito que estava bonito de ver e ouvir, eu estava curtindo. Mas aí entra outro fator importante em festival: o tempo. Duas horas pra um artista é tempo demais, principalmente pra quem está de pé a 6, 7, 8 horas.... O resultado é que lá pelas tantas o show se arrastava pra quem não é fã de carteirinha. Festivais desse tipo deviam limitar os tempos de 1h a 1h30, dependendo do peso do artista, senão ninguém aguenta. O resultado foi que ele pareceu meio indignado com o povo migrando para o outro palco na última meia hora de show. Mas tem que aguentar, mabeibe!
Bom, e vamos para o farofão-mór da noite, grande arroz de festa do momento: Black Eyed Peas. É certo que ninguém de Brasília despenca para o interior de São Paulo pra assistir uma banda que já tocou aqui duas vezes, mas já que estamos lá, vamos curtir o show. Devo dizer que, a meu ver, a organização deu uma bela pisada ao trazê-los ao festival. Deveria trazer alguém mais inédito, mesmo que seja farofa. Eu assisti ao primeiro show deles em Brasília, em 2006, e apesar de não ser grande apreciador, havia achado o show muito divertido e profissional. E com o crescimento da popularidade de lá pra cá, esperava um show muito legal, principalmente em termos de produção. Mas o resultado foi outra decepção. O show começou esquisito, com muito rap repetitivo cantado pelos quatro integrantes, e pouca música conhecida. O som ruim do palco "Energia" parecia contribuir para o show não engatar. Mas eis que, lá pelas tantas, o Will.I.Am sobe em uma plataforma sozinho pra atacar de DJ. E fica tocando obviedades, como clássicos do Michael Jackson e "Smells Like Teen Spirit", do Nirvada. Quando deu 10 minutos da mais pura enrolação sem objetividade, e com o cansaço acumulado no Kanye West, joguei a toalha. Hora de ir embora. Pegar a van pro hotel. Até amanhã...
E fiquem ligados nos próximos posts, que o festival vai melhorar.
Ah, sim. Este foi um dia em que praticamente não vi nada do palco alternativo, com exceção das duas primeiras músicas do Cruz. Tava animado, mas não dá pra fazer uma avaliação justa dos caras.
Chegamos cedo porque o meu irmão tava a fim de ver o Emicida. E valeu a pena, apesar do calor. Quem não tá acostumado com show de rap costuma estranhar só dois caras naquele puta espação do palco: um controlando as pick ups e outro mandando bala no microfone. Mas o Emicida fez bonito, mostrou seu valor e homenageou quem tinha direito, com destaque para clássicos do Thaíde e DJ Hum.
O tal Michael Frenti & Superhead eu assisti da arquibancada, o sol tava indecente. Confesso que não conhecia o cara, e achei o show correto, animadão e divertido. Rock bem americano, clima de Califórnia, com doses fortes de música latina, foi bem legal e animou a galera. Mas ainda tava em clima de esquenta.
Aí veio o SOJA, e mostrou serviço. Reggaezão forte, muito bem tocado, com um lado jazz legal, naipe de metais de grande responsa. Vocalista meio concentrado, mas muito competente. Fácil o melhor show do dia. Fácil, fácil. O lance é que criou aquele clima de, putz, hoje vai arrebentar!! Expectativa que viria a ser frustrada...
Marcelo D2 fez seu papel com a competência tradicional. Tocou os hits que todo mundo esperava com a presença de praxe. Nada de excepcional, mas o que se esperava dele. Agora, foi o primeiro show em que me chamou a atenção o volume baixo do palco "Energia", principalmente se comparado com o palco "Consciência" (pra quem não sabe, esses eram os nomes dos dois palcos principais, em que os shows iam se revezando). Pisada...
Damian Marley também foi bem legal. Os reggaeiros de plantão que me perdoem, mas ainda não nasceu alguém no estilo que faça sombra na unha do dedinho esquerdo do Bob. E nada melhor que o filho dele pra provar isso. Os hits que todo mundo gosta, e pra lá de bem tocados. Mas fiquei com a sensação de que os organizadores poderiam ter tentado trazer o SuperHeavy, em que o Damian participa. Quem sabe no ano que vem? Se o Mick Jagger for muito caro, pode trazer só com a Joss Stone mesmo. Esteticamente há ganhos muito relevantes.
E agora vamos para a primeira grande decepção da noite: que bela bosta de show fez o Snoop Dogg! E eu posso falar, porque fui no primeiro dia só pra vê-lo. Considero o cara o mais importante rapper do momento, dado o seu histórico, e imaginava um show memorável. Ele ficou o tempo todo fazendo pose (até aí, ainda vai) com quatro dançarinas no "apoio moral" (melhor não entrar em detalhes). Mas quando começava a cantar, mal se ouvia sua voz, e ele tava num clima brochante de tão "blasè". A gente demorava pra reconhecer as músicas. Há de se considerar que houve algum tropeço da parte técnica, que não teve competência pra equalizar o som corretamente, mas a presença de palco do Snoop não ajudava em nada. E deve-se lembrar que os problemas técnicos não chegaram a comprometer o Marcelo D2. Decepção total. Única ressalva para o baixista, que colocava seu grave no limite e criava um clima bem denso, muito adequado ao tipo de som do Snoop.
Na sequência, o rap'n'soul do Kanye West, que foi pro festival pra dar espetáculo. Uma puta produção, com direito a bailarinas espalhadas pelo palco imenso, tudo muito profissional, do jogo de luzes ao instrumental, coisa de gente grande. Ele tem uma puta voz, mas acho o som meio farofão, de um modo geral. Bom pra tocar em boate mauricinha. Mas admito que estava bonito de ver e ouvir, eu estava curtindo. Mas aí entra outro fator importante em festival: o tempo. Duas horas pra um artista é tempo demais, principalmente pra quem está de pé a 6, 7, 8 horas.... O resultado é que lá pelas tantas o show se arrastava pra quem não é fã de carteirinha. Festivais desse tipo deviam limitar os tempos de 1h a 1h30, dependendo do peso do artista, senão ninguém aguenta. O resultado foi que ele pareceu meio indignado com o povo migrando para o outro palco na última meia hora de show. Mas tem que aguentar, mabeibe!
Bom, e vamos para o farofão-mór da noite, grande arroz de festa do momento: Black Eyed Peas. É certo que ninguém de Brasília despenca para o interior de São Paulo pra assistir uma banda que já tocou aqui duas vezes, mas já que estamos lá, vamos curtir o show. Devo dizer que, a meu ver, a organização deu uma bela pisada ao trazê-los ao festival. Deveria trazer alguém mais inédito, mesmo que seja farofa. Eu assisti ao primeiro show deles em Brasília, em 2006, e apesar de não ser grande apreciador, havia achado o show muito divertido e profissional. E com o crescimento da popularidade de lá pra cá, esperava um show muito legal, principalmente em termos de produção. Mas o resultado foi outra decepção. O show começou esquisito, com muito rap repetitivo cantado pelos quatro integrantes, e pouca música conhecida. O som ruim do palco "Energia" parecia contribuir para o show não engatar. Mas eis que, lá pelas tantas, o Will.I.Am sobe em uma plataforma sozinho pra atacar de DJ. E fica tocando obviedades, como clássicos do Michael Jackson e "Smells Like Teen Spirit", do Nirvada. Quando deu 10 minutos da mais pura enrolação sem objetividade, e com o cansaço acumulado no Kanye West, joguei a toalha. Hora de ir embora. Pegar a van pro hotel. Até amanhã...
E fiquem ligados nos próximos posts, que o festival vai melhorar.
SWU 2011 - Uma geral sobre a estrutura do evento
Ahhhhh!! A ida para o primeiro dia de um festival é só alegria! Todo mundo descansado, empolgação total, curiosidade para conhecer a estrutura, ansiedade pra assistir shows inéditos, uma maravilha!! Nem dá pra imaginar o estado em que a gente vai ficar depois de três dias.
O trauma do frio no SWU do ano passado me fez chegar neste ano com calça jeans grossa, camiseta preta e casaco jeans. Olhando a meninada chegando só de bermuda e camiseta eu ficava achando graça. Na verdade, depois me manquei que eles também estavam rindo de mim e do meu irmão, e quem estava com a razão eram eles. O sol estava de rachar e fez um calor da moléstia no primeiro dia... Nos outros dias, mesmo com as pancadas de chuva, continuava quente. Sem contar que o calor dentro de uma capa de chuva dispensa qualquer casaco.
A estrutura deste ano chamou a atenção por ser bem mais prática que a do ano passado. O local em Itu era mais bonito, super arborizado, clima bem natureba mesmo. Mas o acesso era uma bosta. Uma estradinha de terra pra entrar, outra pra sair. Com toda a turma dos acampamentos chegando e precisando cadastrar no sistema, e o Rage Against The Machine fechando o set, a multidão que engarrafou as vias fez a experiência de chegar e sair no primeiro dia do SWU do ano passado inesquecível de tão horrorosa. Neste ano, ao chegar no Parque 500 em Paulínia, sem sombra de congestionamento, e com menos de 5 minutos de caminhada para chegar na entrada do festival, não dava pra acreditar. Que felicidade, que felicidade!
Outra coisa que chamou a atenção foi o tamanho da estrutura. O negócio era uma verdadeira cidade mesmo. Havia uma segunda área de alimentação gigantesca que eu só fui descobrir que existia no terceiro dia.
A tenda eletrônica me pareceu igual à do ano passado. O pessoal que é fiel ao estilo é muito específico, eles passam praticamente o festival inteiro balançando no bate-estaca, nem vêem o que rola nos palcos. Mas o importante é ser feliz, não é? Agora, com menos de uma hora de abertura dos portões já tinha um gaiato doido de ácido perdido em um banheiro de 5m x 3m perguntando como saía.
O palco alternativo cresceu muito em relação ao ano passado. Palcão mesmo, ao ar livre, preparado pra receber coisa grande, como realmente rolou. Pra mim, rolaram alguns equívocos na escalação dos times dos palcos principais e do alternativo, mas vamos deixar pros outros posts.
E depois de uns 10 ou 15 minutos de caminhada a partir da entrada, chega-se à área dos dois palcos principais. Ao invés de um ao lado do outro, como no ano passado, um de frente para o outro, a uma distância de aproximadamente 450 metros (segundo a produção, mas deve ser mais ou menos isso mesmo). Ouvi gente que não gostou, mas eu achei muito melhor, principalmente pra quem não faz questão de ficar no gargarejo. Acabava uma banda, a caminhada para o outro lado durava praticamente o tempo dos comerciais nos telões. No ano passado, para ir da lateral de um palco para o lado oposto do outro palco, chegava-se a perder duas ou três músicas. Você escolhia se queria perder da banda atual ou da próxima.
Também achei melhor o fato de toda esta área dos palcos principais ser asfaltada (se fosse gramado que nem no ano passado o último dia teria sido um inferno muito maior do que já foi...), ser plana (as caminhadas no morro do ano passado acabavam com a gente nas atrações finais) e ainda contar com uma arquibancada gigantesca, original do parque, que salvou muita gente nos momentos de chuva forte.
O povo da área vip deve ter xingado muito. Acho que o trauma com o Rage no ano passado fez com que a organização desistisse de criar aquela área exclusiva perto de cada palco, e eles ficaram em uma tenda lateral sem nenhuma vantagem em termos de visibilidade. Da arquibancada era até melhor. Pagaram R$800 pra comer e beber de graça, mas haja estômago pra valer a pena. Agora, sinceridade? Eu dei foi risada. Pessoal da área vip tem mais é que passar raiva mesmo, assim o povo acaba de vez com essa babaquice.
Mas, no resumo, a estrutura deste ano era melhor, mas ainda há problemas graves, alguns reincidentes em relação ao ano passado. A organização tem que pensar melhor sobre esses pontos... Seguem aí os principais, a meu ver.
_ O tamanho exagerado da estrutura dificultava a ida às áreas de alimentação. Era necessário escolher uma atração para perder inteira, dado o tempo de ir, comprar ficha, comer e voltar. Na área do show, a única opção fácil de comida era pipoca, via vendedores ambulantes. Na arquibancada, cheguei a ver cachorro quente e pizza no último dia, também com ambulantes, mas era muito raro e muito comum acabar rápido.
_ Comprar cerveja, água e refrigerante era muito fácil, ambulante pra todo lado, mas caro pacas. Uma lata de cerveja custava R$6 na área de alimentação, R$7 com os ambulantes e R$8 com os ambulantes do gargarejo. Mas a única opção de bebida alcoólica era cerveja Heineken, principal patrocinadora do evento. Havia a variedade chopp, mais leve um pouco, mas Heineken também, cerveja lager, amarga, pra quem gosta mesmo. Eu gosto então beleza, mas quem não gosta (boa parte dos brasileiros, diga-se de passagem) teve que engolir. Ou partir pra coca-cola. Tinha energético Burn (outro patrocinador), mas sem vodka, whisky ou algum outro acompanhamento. Ice, birinight, esses negócios que principalmente a mulherada costuma curtir, nada. Realmente não havia opção. Garrafa de água mineral, 500 ml, custava R$5. E não era Perrier nem São Lourenço.
_ Fora da área dos palcos principais, a maioria dos acessos passavam por gramado. Que ao final do primeiro dia, já vira só terra. E que depois do terceiro dia, com a chuva, era só lama. Lama grossa, escorregadia. A coisa mais comum era ver sujeito com a calça toda suja, ou seja, já havia dado uma chafurdada super legal no lamaçal. Eu mesmo passei por momentos de alta tensão em pelo menos três ocasiões. Em uma delas dentro de um banheiro formado por casinhas de banheiro químico. Imaginou, né? Agora esquece, rápido. Pessoal que foi de carro? Ah, esses se danaram de verdade. A lama nos estacionamentos já era infernal ao final do segundo dia, ao final do terceiro virou o verdadeiro mar de lama. Muito carro atolado, muita calça e tênis para serem jogados fora. A frase mais ouvida era "Que merda!", comumente seguida por "Não cara, é só barro mesmo...".
Nos próximos posts vou falar do que interessa: os shows, caçamba!!!
O trauma do frio no SWU do ano passado me fez chegar neste ano com calça jeans grossa, camiseta preta e casaco jeans. Olhando a meninada chegando só de bermuda e camiseta eu ficava achando graça. Na verdade, depois me manquei que eles também estavam rindo de mim e do meu irmão, e quem estava com a razão eram eles. O sol estava de rachar e fez um calor da moléstia no primeiro dia... Nos outros dias, mesmo com as pancadas de chuva, continuava quente. Sem contar que o calor dentro de uma capa de chuva dispensa qualquer casaco.
A estrutura deste ano chamou a atenção por ser bem mais prática que a do ano passado. O local em Itu era mais bonito, super arborizado, clima bem natureba mesmo. Mas o acesso era uma bosta. Uma estradinha de terra pra entrar, outra pra sair. Com toda a turma dos acampamentos chegando e precisando cadastrar no sistema, e o Rage Against The Machine fechando o set, a multidão que engarrafou as vias fez a experiência de chegar e sair no primeiro dia do SWU do ano passado inesquecível de tão horrorosa. Neste ano, ao chegar no Parque 500 em Paulínia, sem sombra de congestionamento, e com menos de 5 minutos de caminhada para chegar na entrada do festival, não dava pra acreditar. Que felicidade, que felicidade!
Outra coisa que chamou a atenção foi o tamanho da estrutura. O negócio era uma verdadeira cidade mesmo. Havia uma segunda área de alimentação gigantesca que eu só fui descobrir que existia no terceiro dia.
A tenda eletrônica me pareceu igual à do ano passado. O pessoal que é fiel ao estilo é muito específico, eles passam praticamente o festival inteiro balançando no bate-estaca, nem vêem o que rola nos palcos. Mas o importante é ser feliz, não é? Agora, com menos de uma hora de abertura dos portões já tinha um gaiato doido de ácido perdido em um banheiro de 5m x 3m perguntando como saía.
O palco alternativo cresceu muito em relação ao ano passado. Palcão mesmo, ao ar livre, preparado pra receber coisa grande, como realmente rolou. Pra mim, rolaram alguns equívocos na escalação dos times dos palcos principais e do alternativo, mas vamos deixar pros outros posts.
E depois de uns 10 ou 15 minutos de caminhada a partir da entrada, chega-se à área dos dois palcos principais. Ao invés de um ao lado do outro, como no ano passado, um de frente para o outro, a uma distância de aproximadamente 450 metros (segundo a produção, mas deve ser mais ou menos isso mesmo). Ouvi gente que não gostou, mas eu achei muito melhor, principalmente pra quem não faz questão de ficar no gargarejo. Acabava uma banda, a caminhada para o outro lado durava praticamente o tempo dos comerciais nos telões. No ano passado, para ir da lateral de um palco para o lado oposto do outro palco, chegava-se a perder duas ou três músicas. Você escolhia se queria perder da banda atual ou da próxima.
Também achei melhor o fato de toda esta área dos palcos principais ser asfaltada (se fosse gramado que nem no ano passado o último dia teria sido um inferno muito maior do que já foi...), ser plana (as caminhadas no morro do ano passado acabavam com a gente nas atrações finais) e ainda contar com uma arquibancada gigantesca, original do parque, que salvou muita gente nos momentos de chuva forte.
O povo da área vip deve ter xingado muito. Acho que o trauma com o Rage no ano passado fez com que a organização desistisse de criar aquela área exclusiva perto de cada palco, e eles ficaram em uma tenda lateral sem nenhuma vantagem em termos de visibilidade. Da arquibancada era até melhor. Pagaram R$800 pra comer e beber de graça, mas haja estômago pra valer a pena. Agora, sinceridade? Eu dei foi risada. Pessoal da área vip tem mais é que passar raiva mesmo, assim o povo acaba de vez com essa babaquice.
Mas, no resumo, a estrutura deste ano era melhor, mas ainda há problemas graves, alguns reincidentes em relação ao ano passado. A organização tem que pensar melhor sobre esses pontos... Seguem aí os principais, a meu ver.
_ O tamanho exagerado da estrutura dificultava a ida às áreas de alimentação. Era necessário escolher uma atração para perder inteira, dado o tempo de ir, comprar ficha, comer e voltar. Na área do show, a única opção fácil de comida era pipoca, via vendedores ambulantes. Na arquibancada, cheguei a ver cachorro quente e pizza no último dia, também com ambulantes, mas era muito raro e muito comum acabar rápido.
_ Comprar cerveja, água e refrigerante era muito fácil, ambulante pra todo lado, mas caro pacas. Uma lata de cerveja custava R$6 na área de alimentação, R$7 com os ambulantes e R$8 com os ambulantes do gargarejo. Mas a única opção de bebida alcoólica era cerveja Heineken, principal patrocinadora do evento. Havia a variedade chopp, mais leve um pouco, mas Heineken também, cerveja lager, amarga, pra quem gosta mesmo. Eu gosto então beleza, mas quem não gosta (boa parte dos brasileiros, diga-se de passagem) teve que engolir. Ou partir pra coca-cola. Tinha energético Burn (outro patrocinador), mas sem vodka, whisky ou algum outro acompanhamento. Ice, birinight, esses negócios que principalmente a mulherada costuma curtir, nada. Realmente não havia opção. Garrafa de água mineral, 500 ml, custava R$5. E não era Perrier nem São Lourenço.
_ Fora da área dos palcos principais, a maioria dos acessos passavam por gramado. Que ao final do primeiro dia, já vira só terra. E que depois do terceiro dia, com a chuva, era só lama. Lama grossa, escorregadia. A coisa mais comum era ver sujeito com a calça toda suja, ou seja, já havia dado uma chafurdada super legal no lamaçal. Eu mesmo passei por momentos de alta tensão em pelo menos três ocasiões. Em uma delas dentro de um banheiro formado por casinhas de banheiro químico. Imaginou, né? Agora esquece, rápido. Pessoal que foi de carro? Ah, esses se danaram de verdade. A lama nos estacionamentos já era infernal ao final do segundo dia, ao final do terceiro virou o verdadeiro mar de lama. Muito carro atolado, muita calça e tênis para serem jogados fora. A frase mais ouvida era "Que merda!", comumente seguida por "Não cara, é só barro mesmo...".
Nos próximos posts vou falar do que interessa: os shows, caçamba!!!
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