Bom, vamos ao interessa: os shows!! O primeiro dia foi dedicado à música negra, mais focada em rap e reggae. Senti falta de algumas atrações mais ligadas à soul music, mas paciência. Como verão, dia de muita decepção e algumas boas surpresas.
Ah, sim. Este foi um dia em que praticamente não vi nada do palco alternativo, com exceção das duas primeiras músicas do Cruz. Tava animado, mas não dá pra fazer uma avaliação justa dos caras.
Chegamos cedo porque o meu irmão tava a fim de ver o Emicida. E valeu a pena, apesar do calor. Quem não tá acostumado com show de rap costuma estranhar só dois caras naquele puta espação do palco: um controlando as pick ups e outro mandando bala no microfone. Mas o Emicida fez bonito, mostrou seu valor e homenageou quem tinha direito, com destaque para clássicos do Thaíde e DJ Hum.
O tal Michael Frenti & Superhead eu assisti da arquibancada, o sol tava indecente. Confesso que não conhecia o cara, e achei o show correto, animadão e divertido. Rock bem americano, clima de Califórnia, com doses fortes de música latina, foi bem legal e animou a galera. Mas ainda tava em clima de esquenta.
Aí veio o SOJA, e mostrou serviço. Reggaezão forte, muito bem tocado, com um lado jazz legal, naipe de metais de grande responsa. Vocalista meio concentrado, mas muito competente. Fácil o melhor show do dia. Fácil, fácil. O lance é que criou aquele clima de, putz, hoje vai arrebentar!! Expectativa que viria a ser frustrada...
Marcelo D2 fez seu papel com a competência tradicional. Tocou os hits que todo mundo esperava com a presença de praxe. Nada de excepcional, mas o que se esperava dele. Agora, foi o primeiro show em que me chamou a atenção o volume baixo do palco "Energia", principalmente se comparado com o palco "Consciência" (pra quem não sabe, esses eram os nomes dos dois palcos principais, em que os shows iam se revezando). Pisada...
Damian Marley também foi bem legal. Os reggaeiros de plantão que me perdoem, mas ainda não nasceu alguém no estilo que faça sombra na unha do dedinho esquerdo do Bob. E nada melhor que o filho dele pra provar isso. Os hits que todo mundo gosta, e pra lá de bem tocados. Mas fiquei com a sensação de que os organizadores poderiam ter tentado trazer o SuperHeavy, em que o Damian participa. Quem sabe no ano que vem? Se o Mick Jagger for muito caro, pode trazer só com a Joss Stone mesmo. Esteticamente há ganhos muito relevantes.
E agora vamos para a primeira grande decepção da noite: que bela bosta de show fez o Snoop Dogg! E eu posso falar, porque fui no primeiro dia só pra vê-lo. Considero o cara o mais importante rapper do momento, dado o seu histórico, e imaginava um show memorável. Ele ficou o tempo todo fazendo pose (até aí, ainda vai) com quatro dançarinas no "apoio moral" (melhor não entrar em detalhes). Mas quando começava a cantar, mal se ouvia sua voz, e ele tava num clima brochante de tão "blasè". A gente demorava pra reconhecer as músicas. Há de se considerar que houve algum tropeço da parte técnica, que não teve competência pra equalizar o som corretamente, mas a presença de palco do Snoop não ajudava em nada. E deve-se lembrar que os problemas técnicos não chegaram a comprometer o Marcelo D2. Decepção total. Única ressalva para o baixista, que colocava seu grave no limite e criava um clima bem denso, muito adequado ao tipo de som do Snoop.
Na sequência, o rap'n'soul do Kanye West, que foi pro festival pra dar espetáculo. Uma puta produção, com direito a bailarinas espalhadas pelo palco imenso, tudo muito profissional, do jogo de luzes ao instrumental, coisa de gente grande. Ele tem uma puta voz, mas acho o som meio farofão, de um modo geral. Bom pra tocar em boate mauricinha. Mas admito que estava bonito de ver e ouvir, eu estava curtindo. Mas aí entra outro fator importante em festival: o tempo. Duas horas pra um artista é tempo demais, principalmente pra quem está de pé a 6, 7, 8 horas.... O resultado é que lá pelas tantas o show se arrastava pra quem não é fã de carteirinha. Festivais desse tipo deviam limitar os tempos de 1h a 1h30, dependendo do peso do artista, senão ninguém aguenta. O resultado foi que ele pareceu meio indignado com o povo migrando para o outro palco na última meia hora de show. Mas tem que aguentar, mabeibe!
Bom, e vamos para o farofão-mór da noite, grande arroz de festa do momento: Black Eyed Peas. É certo que ninguém de Brasília despenca para o interior de São Paulo pra assistir uma banda que já tocou aqui duas vezes, mas já que estamos lá, vamos curtir o show. Devo dizer que, a meu ver, a organização deu uma bela pisada ao trazê-los ao festival. Deveria trazer alguém mais inédito, mesmo que seja farofa. Eu assisti ao primeiro show deles em Brasília, em 2006, e apesar de não ser grande apreciador, havia achado o show muito divertido e profissional. E com o crescimento da popularidade de lá pra cá, esperava um show muito legal, principalmente em termos de produção. Mas o resultado foi outra decepção. O show começou esquisito, com muito rap repetitivo cantado pelos quatro integrantes, e pouca música conhecida. O som ruim do palco "Energia" parecia contribuir para o show não engatar. Mas eis que, lá pelas tantas, o Will.I.Am sobe em uma plataforma sozinho pra atacar de DJ. E fica tocando obviedades, como clássicos do Michael Jackson e "Smells Like Teen Spirit", do Nirvada. Quando deu 10 minutos da mais pura enrolação sem objetividade, e com o cansaço acumulado no Kanye West, joguei a toalha. Hora de ir embora. Pegar a van pro hotel. Até amanhã...
E fiquem ligados nos próximos posts, que o festival vai melhorar.
Boa BIzarro!!!!
ResponderExcluirAbs Thibau